sexta-feira, setembro 5

O que se Sente não se Consegue Dizer.


O que habitualmente se sofre (se sente) não se pode contar. Não é só porque isso é normalmente ridículo (porque a grande maior parte do que se pensa e sente é ridículo) e só o que é grande é que cai bem e vale portanto a pena dizer-se. É que o dizer-se altera o que se diz. O sentir é irredutível ao dizer. Só o estar sofrendo diz o sofrer. Na palavra ninguém o reconhece ou reconhece-o de outra maneira, essa maneira em que já o não reconhece o que o conta. Mas dizia eu que a generalidade do que se pensa, sente, é ridícula. São raros os momentos de «elevação». A quase totalidade do tempo passamo-la distraídos, alheados em ideias sem interesse, nascidas de coisas sem interesse, as coisas que vai havendo à nossa volta ou no nosso divagar imaginativo ou que nem sequer chega a haver porque há só a abstracção total no quedarmo-nos pregados às coisas que nem vemos nem nos despertam ideia alguma e estão ali apenas como ponto de fixação do nosso absoluto vazio interior.
(in, Vergilio Ferreira)

Provérbios e Adivinhas

§ Todas as damas me querem, à cabeça me dão valor, sem ter dentes firo às vezes, sem montar sou picador. Aquele que de mim precisa, se ao pé de si não me vê, vai buscar notícias minhas em carta que se não lê. Quase todas as criadas me encontram, estando perdido sou mil vezes emprestado e nunca restituído. §

Empréstimo aprovado!!!


A Câmara de Aveiro conta com 58 milhões de euros para pagar a fornecedores as dívidas de curto prazo. O Tribunal de Contas aprovou a contratação do empréstimo, mas nada foi explicado, de como pretende fazer para fazer a reestruturação do passivo municipal. É que isto é um novo endividamento porque acrescenta dívida à existente.
E o maior problema é que quase tudo o que diz respeito ao futuro do desenvolvimento de Aveiro está adiado. É que este empréstimo não é mais do que a forma de encobrir a inabilidade para a gestão da coisa pública.
Este executivo seguiu o rumo de continuar a nomear assessores, chefes de gabinete, divisões, departamentos, que importam em milhares de euros em despesas de pessoal e que estão inoperativos. Não se fiscalizam devidamente projectos de urbanização que permitem aos privados ganhos supérfluos. Mantiveram empresas municipais somente poder alimentar a clientela e amigos, e que são sorvedouros enormes de dinheiro que continuam a apresentar resultados negativos.
As promessas eleitorais do Presidente em relação a acabar com as empresas municipais não estão cumpridas. E as hipotéticas receitas que pudessem advir do desenvolvimento do concelho também não se verificam, porque nada se tem feito para atrair investimento (até a PT está a pensar sair do concelho).
Aveiro é o concelho “mais caro” em termos de taxas, derramas, e como tal menos competitivo que qualquer dos concelhos vizinhos. Para já não falar das infra-estruturas que se têm deteriorado exponencialmente nos últimos três anos. Veja-se por exemplo a rede viária; a rede escolar; a rede transportes; as zonas industriais; as zonas verdes; o ambiente (aterro e canais da ria). Enfim, nada se faz com a desculpa da «dívida deixada pelos socialistas».
Mas é caso para perguntar: quando se candidataram já sabiam os valores da divida. Eles foram comentados na campanha. Então significa que este executivo não teve nem tem estratégia para Aveiro. E sendo assim a solução do empréstimo é contrair mais dívida. Dívida que tem de ser paga por todos os aveirenses (não é pelo actual executivo. E como acabaram com uma boa parte das receitas que a Câmara realizava através de dinamizações próprias, agora fica dependente apenas dos contribuintes como potenciais fontes de receita. Mas isso não se irá verificar no futuro porque os aveirenses já perceberam que viver e investir em qualquer concelho vizinho é mais barato e a qualidade de vida é muito superior. Mas o empréstimo foi autorizado e isso é bom, por enquanto.

segunda-feira, setembro 1

Então, as Compensações!

Os cidadãos e os políticos aveirenses têm andado desatentos ou fazer de conta quanto à importância da implementação da linha do TGV em território nacional e no distrito de Aveiro em particular.
Depois dos senhores da RAVE venderem a sua “banha-da-cobra” aos políticos aveirenses, todos ficaram de bico calado com a promessa de se fazer a ligação Aveiro/Salamanca (só não se sabe para quando). Certo é que a Comissão Europeia prevê atribuir a Portugal, até 2013, no âmbito da Rede Transeuropeia de Transportes 383,38 milhões de euros destinados à alta velocidade ferroviária, privilegiando a ligação a Espanha. Só que tal prioridade deveria ser dada em primeiro lugar aos canais de transportes que possam comunicar mais rapidamente com o “centro” da Europa e nomeadamente com a ligação imediata aos portos do eixo-atlântico para transporte de mercadorias. Como tal não se verifica, quais são as compensações para Aveiro?
Todos os autarcas por onde possa passar a linha já alertaram que pretendem desenvolver o seu território em base do pólo dinamizador que se venha a desenhar. Coimbra já apresentou o seu plano e pretende que todas as suas linhas regionais entre Soure e Mealhada sejam modernizadas. Inclusive tiveram deferimento à sua preferência de implantação da futura estação do TGV ficasse junto a Coimbra B (inicialmente estava prevista entre Ameal e Ribeira de Frades).
E Aveiro, como fica?
Será que já não temos homens nestas terras de alavário da dimensão de José Estêvão? Será que os políticos aveirenses são todos “cospe nele”?
Aveiro tem de se tornar reivindicativo nos seus direitos, como cidade e como região altamente contributiva para o erário público nacional e exigir as suas compensações.
Será que Aveiro se irá contentar apenas (e dependendo do cenário que vier a ser aprovado) de ter uma estação na zona Norte já fora do limite do concelho e um apeadeiro na actual estação?
Então e o Metro de Superfície? Então e a reestruturação da Linha do Vouga? Até quando é que nós aveirenses vamos seguir sendo “papados”?