sexta-feira, agosto 22


Longe vão os tempos em que os cidadãos eram solicitados a dizer ‘trinta e três’ para atestar sabe-se lá que aptidão, expondo-se à galhofa alheia caso tivessem o azar de trocar o ‘r’ por ‘l’ e cantassem inadvertidamente ‘tlinta e tlês’.
Agora a nova moda é ‘diga trezentos e trinta e três’, número mágico criado pelo governo de José Sócrates para atestar que Portugal entrou definitivamente na era do «simplex», fórmula pseudo popular para a anunciada simplificação dos serviços do Estado, a invocar outros trocadilhos nada originais e já com barbas. Mas adiante.
Para apresentar o «simplex», Sócrates levou até ao Centro Cultural de Belém uma boa parte dos seus ministros, o que só mostra como a burocracia está arreigada nos (ir) responsáveis públicos. De facto, não é preciso particular clarividência para chegar à conclusão de que, para o efeito, ficaria muito mais barato para o Estado convocar a comunicação social para uma conferência de imprensa em S. Bento. Poupava-se nas deslocações da ministeriais figuras, que assim poderiam permanecer nos seus gabinetes a trabalhar; na ocupação da sala; nos serviços de apoio e segurança; na emissão de gases poluentes para a atmosfera dos carros oficiais; nos pastéis de Belém, nas bicas e nas águas, só para citar alguns exemplos. E cumpria-se a função, que de resto não justifica tanto aparato, já que das 333 medidas anunciadas segunda-feira há um rol que se repetem (deve ser de formação profissional), outras que têm um horizonte de aplicação a longo prazo (longex), e outras ainda que não passam de faz de conta (enganex).

1 comentário:

Anónimo disse...

É claro que este PS de Sócrates não é o PS social dum paós solidário. Mas como dizia o anterior líder "é a vida".